1957-1966
Reunião fundadora em Março de 1957
Paris, 1958: 2ª Reunião geral
Edimburgo, 1959: 3ª Reunião geral
1961: 4ª Reunião geral em Viena
Madrid, 1963: 5ª Reunião geral
Toronto, 1965: 1ª Convenção de delegados
Reunião fundadora em Março de 1957
Nos dias 19 e 20 de Março de 1957, 16 pintores com a boca e os pés oriundos de diversos países europeus encontraram-se em Vaduz, capital do principado do Liechtenstein, para realizarem a reunião fundadora da Associação de Pintores com a Boca e os Pés. O iniciador desta fundação foi Arnulf Erich Stegmann, da Alemanha. Foi ele quem teve a ideia de fundar uma associação com estas características, e quem se encarregou de procurar pessoalmente pintores com a boca e os pés dispostos a defender este projecto e, por conseguinte, a ser membros fundadores do mesmo. No total, conseguiu reunir 18 artistas prontos para se juntarem à associação. Stegmann alcançou o seu objectivo de vida durante aqueles dois dias de Primavera, em que reuniu 16 dos 18 membros no Waldhotel, acima de Vaduz, para realizar a fundação oficial da APBP. Assim nasceu uma história de sucesso com mais de 50 anos.
Durante a reunião de fundação, Arnulf Erich Stegmann fez um discurso aceitando iniciar este projecto. Nesse discurso, declarou: „Em 1947, ou seja, há precisamente 10 anos, decidi trabalhar no futuro com todos os meus colegas que, como eu, criam obras de arte com a boca ou os pés, se os ditos colegas estivessem dispostos a isso. [...] Porquê? No mundo em que vivemos, frequentemente tão hostil para os deficientes físicos, uma associação com estas características oferece uma grande oportunidade de superar mais facilmente as dificuldades, tanto no que diz respeito à arte como na própria vida. É simplesmente triste e absurdo que, apesar de terem atingido os padrões mais elevados nas suas obras, artistas com graves deficiências físicas (conforme demonstramos incessantemente), não possam declarar publicamente que estas obras não foram criadas pela via normal, mas sim com a boca ou o pé em substituição da mão. [...] Mas para nós o trabalho, a criatividade artística, representa a chave da liberdade. Foi por isso que, no Outono de 1947, pedi ao artista alemão Bruno Schmitz-Hochburg para trabalhar comigo. Depois, em 1952, juntou-se a nós Erich Macho, pintor com a boca e os pés austríaco; éramos agora um trevo de três folhas. Quando soube que Charles Pasche, pintor com os pés suíço, estava a viver no lago Léman, fui visitá-lo, e o nosso trevo passou a ser de quatro folhas. Mais tarde fui à Holanda e unimos forças a Corry F. Riet e Riek de Vos. Na Suécia visitei Henry Ullberg, confinado ao leito; ele estava mais que disposto a trabalhar connosco. Em França encontrámos Madeleine Jars, Geneviève Barbedienne e Marie-Louise Tovae; na Bélgica, Eugène Pirard; novamente na Suécia Elof Lundberg e Sune Fick; na Alemanha Irene Schricker e Cefischer (Carl Fischer); novamente na Bélgica de Munter, na Suécia Evi Thor, na Noruega Rolf Thomassen.“
A agenda de 20 de Março de 1957 continha oito pontos. Estes incluíam as eleições do Conselho de Administração. O Presidente Arnulf Erich Stegmann declarou que não se iria submeter à eleição, uma vez que, como fundador e iniciador da APBP, o cargo de Presidente era vitalício; e o conselheiro jurídico, Dr. Dr. Herbert Batliner não necessitava de ser eleito. Assim, tornou-se necessário encontrar mais dois membros do Conselho de Administração. Por sugestão do presidente Arnulf Erich Stegmann os artistas Corry F. Riet, pintora com a boca dos Países Baixos, e Charles Pasche, pintor com os pés da Suíça, foram a votos. Foram ambos eleitos para o Conselho de Administração por larga maioria.
Nesse dia foi também atingido um marco relativamente à abertura da APBP. A pedido do conselheiro jurídico, Dr. Dr. Herbert Batliner, foi incluído nos estatutos o seguinte parágrafo: “A APBP tem uma posição neutra no que diz respeito às crenças religiosas, filosóficas e políticas. É por conseguinte inadmissível qualquer tratamento preferencial ou discriminação devido à crença religiosa, filosófica ou política de um membro.” Com esta passagem, a associação demonstrou formalmente estar aberta a todas as culturas; ainda hoje ela é um símbolo da grande abertura e consideração pelos artistas deficientes, independentemente das origens geográficas e culturais dos pintores com a boca ou os pés.
Paris, 1958: 2ª Reunião geral
Cerca de um ano mais tarde, a família APBP reuniu-se em Paris para a segunda reunião geral. A associação contava nesta altura com 21 membros. Outros 12 jovens artistas tinham recebido bolsas de estudo. À capital de França acorreram 20 pintores com a boca e os pés de 16 países, para participarem nesta reunião geral de 6 a 8 de Maio de 1958.
Edimburgo, 1959: 3ª Reunião geral
A convite da editora na Grã-Bretanha, os pintores com a boca e os pés reuniram-se em Edimburgo para a 3ª reunião geral. Esta foi ensombrada pela morte de Corry F. Riet, membro do Conselho de Administração, que faleceu em Novembro de 1958, apenas seis meses após ter sido reeleita para o Conselho de Administração. O falecimento de Corry F. Riet significava que os membros da Associação tinham de preencher o lugar deixado vazio no Conselho de Administração. Assim, os delegados elegeram para o Conselho de Administração Marlyse Tovaem, suíça, pintora com os pés e mais tarde Presidente. Assim, após a Reunião geral em Edimburgo, o Conselho de Administração da associação tinha a seguinte disposição: Arnulf Erich Stegmann, Presidente, Charles Pasche, Marlyse Tovae e o conselheiro jurídico, Dr. Dr. Herbert Batliner.
1961: 4ª Reunião geral em Viena
Nos dias 4 e 5 de Junho de 1961 reuniram-se em Viena 20 dos 24 membros, para a 4ª reunião geral da associação. Nesta altura tornou-se claro que a associação não iria parar nas fronteiras da Europa. O australiano Athol Thompson foi o primeiro artista não residente na Europa a tornar-se membro da associação. Além disso, a lista de bolseiros suportados pela associação tornava-se cada vez mais longa e mais internacional. Com o apoio a uma artista sul-africana e a um artista argentino, a partir de 1961 a APBP já estava representada em quatro continentes. O carácter cada vez mais internacional da APBP evidenciou-se também em Outubro de 1960, quando pela primeira vez se realizou uma exposição fora da Europa. Esta teve lugar em Joanesburgo, África do Sul, e inspirou diversos meios de comunicação social a divulgar a associação. Por ocasião da reunião geral em Viena foram apresentadas duas inovações. A primeira foi que, pela primeira vez, os membros reuniam-se em intervalos de dois anos; a segunda foi que pela primeira vez não foram necessárias eleições para o Conselho de Administração, uma vez que a reunião geral anterior tinha alargado o mandato para quatro anos.
Madrid, 1963: 5ª Reunião geral
A 5ª reunião geral, realizada em 1963 em Madrid, tem um lugar especial na história da Associação. Nesta reunião, os estatutos da APBP foram submetidos a uma revisão fundamental, aprovada por unanimidade por todos os membros presentes. A nova versão dos estatutos era necessária devido ao constante crescimento do número de membros e bolseiros, que, a partir de 1963, estavam espalhados por todos os continentes. De facto, a partir desta reunião geral, a associação passou a ser representada por 54 membros plenos e bolseiros em 22 países.
O presidente Arnulf Erich Stegmann explicou no relatório anual a necessidade de alterar os estatutos, da seguinte maneira: "Uma vez que temos agora um elevado número de membros, não só na Europa como na América, Austrália e Ásia, devemos tomar decisões baseadas nas circunstâncias actuais. Esperamos que a base financeira da nossa associação continue forte, uma vez que uma grande quantidade de jovens artistas, actualmente em escolas e academias de arte, irão depois tornar-se membros plenos da nossa associação.” Segundo as actas da reunião, o presidente disse ainda o seguinte: “Ao aceitarmos na associação cada vez mais artistas de países não europeus, tornámos necessário introduzir uma alteração no que diz respeito à reunião geral.” Concretamente, isto significava que, incluindo a convenção de delegados nos estatutos, os membros presentes aprovaram uma expansão dos corpos oficias da APBP. E não só: a partir desta altura, a convenção de delegados tornou-se o órgão oficial supremo da associação, e passou a englobar representantes de três círculos eleitorais. Eram estes a.) Europa e África, b.) todos os estados da América do Sul, Central e do Norte, e c.) o resto do mundo, conforme definido nos estatutos. Um distrito eleitoral podia enviar à convenção de delegados um membro por cada sete.
As tarefas transferidas para a convenção de delegados foram diversas. Incluíam, entre outras tarefas, a eleição de um Conselho de Administração e resoluções relativas a alterações aos estatutos. O Plenário continuava a ser um corpo oficial da APBP e assumia-se como uma reunião de todos os membros. Deveria reunir-se de vez em quando, conforme decisão da convenção de delegados. Foram transferidas para ele as mesmas competências e tarefas “que para a convenção de delegados, com a excepção das eleições”,como pode ler-se nos estatutos de 1963. Além disso, ficou registado nos estatutos que o presidente e iniciador da associação, Arnulf Erich Stegmann, tinha sido eleito para o cargo vitalício na reunião de fundação.
Toronto, 1965: 1ª Convenção de delegados
As alterações aos estatutos de 1963 proporcionaram pela primeira vez a possibilidade de uma convenção de delegados. Apenas dois anos mais tarde ocorreu a primeira convenção de delegados da associação. Em conformidade com os estatutos, bem como com os membros do Conselho de Administração, reuniram-se em Toronto seis delegados das regiões eleitorais, bem como seis delegados convidados das Américas do Norte e do Sul, para participar nesta reunião. Mas não foi apenas a primeira convenção de delegados que representou uma estreia; na convenção de Toronto, pintores com a boca e os pés de todo o mundo reuniam-se pela primeira vez fora da Europa.
Ao presidente foi concedida a honra de anunciar que a associação tinha voltado a crescer nos dois últimos anos, e que a expansão a nível mundial podia ser novamente alargada. Na altura da convenção de delegados em Toronto, a associação contava com 80 pintores com a boca e os pés, na qualidade de membros plenos ou bolseiros. Eram mais 26 membros que apenas dois anos antes, em Madrid. O número de países representados também tinha aumentado. Contando com o Brasil e o México no continente americano, bem como com a Índia, a APBP estava agora representada em 25 países.
O número crescente de membros levou o Conselho de Administração a propor aos delegados a expansão do conselho, proposta que foi aprovada por unanimidade. Foi então necessário realizar novas eleições, e o Conselho de Administração foi alargado pela primeira vez na história da associação. Através de uma votação secreta, os delegados elegeram Eugen Pirard, pintor com a boca da Bélgica. Após a convenção de delegados de 1965, o Conselho de Administração passou a ser constituído pelas seguintes pessoas: Arnulf Erich Stegmann, Presidente, Marlyse Tovae, Charles Pasche, Eugen Pirard e o conselheiro jurídico, Dr. Dr. Herbert Batliner.

